Moddy’s melhora perspetiva da dívida e país pode sair do lixo dentro de 1 ano

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Depois da Fitch, foi a Moody’s a pôr a dívida em outlook positivo”. Agência só quer menos défice e dívida, e retoma ampla.

A tendência ou perspetiva (outlook) para a nota (rating) da dívida pública portuguesa “passou de estável a positiva” anunciou ontem à noite a agência de rating Moody”s.

Se o défice público continuar a cair, se os orçamentos continuarem a ser “prudentes” como foi o de 2016 e parece estar a a ser o de 2017, se o rácio da dívida descer de forma sustentada e se a retoma da economia continuar e se mantiver ampla, “alargada” a todos os sectores da economia, como até aqui, a promoção do rating pode ocorrer “muito possivelmente dentro de 12 meses” (agosto/setembro do ano que vem).

Mas, claro, nada é adquirido e se houver dúvidas, o veredicto também pode vir a ser atrasado até, no limite, inícios de 2019 (18 meses), ressalva.

De acordo com a nota ontem publicada pela empresa, no melhor cenário, dentro de um ano ou menos, Portugal regressa ao clube dos soberanos de maior confiança, a dívida pública deixa de ser vista como um ativo demasiado arriscado.

Decisão ajuda as Finanças e deve baixar juros

Fonte oficial das Finanças, disse ao Dinheiro Vivo/JN, que quando e se isso acontecer, como se prevê, as taxas de juro terão margem para cair ainda mais. Os indexantes têm vindo a descer de forma sustentada e há menos volatilidade nos mercados, diz. Ontem, a taxa a 10 anos baixou para 2,8%.

Uma nota do gabinete de Mário Centeno, ministro das Finanças, diz que “esta decisão abre caminho a uma atualização do rating da República para o grau de investimento de qualidade, que decorrerá da confirmação da sustentabilidade do crescimento económico, da qualidade da gestão orçamental e do impulso reformista do governo”.

Depois da Fitch, em junho, a Moody”s é a segunda das três grandes agências, a subir a tendência do rating para “positiva”. Logo ela que foi a primeira, a mais rápida, a cortar no rating nos idos de julho de 2011; e que há menos de um ano adotava um tom bastante mais cético quanto ao plano orçamental.

Em todo o caso, em fevereiro, começaram a surgir os primeiros sinais de que havia mais confiança no plano português, segundo fez saber Dietmar Hornung, um alto responsável da agência, de passagem por Lisboa.

Já a Standard & Poor”s mantém a sua nota em nível “especulativo” e “estável”, mas vai falar sobre o país no dia 15 deste mês, podendo seguir o mesmo caminho das suas concorrentes.

Atualmente, apenas a mais modesta DBRS, do Canadá, atribui à República uma nota de investimento de qualidade (baixou o rating na altura da crise, mas nunca para lixo), permitindo o acesso do país aos valiosos programas de compras de ativos do BCE. Esta agência fará nova avaliação depois do OE, a 20 de outubro.

Um tom mais dócil

No estudo ontem revelado sobre a situação macroeconómica e orçamental portuguesa, a Moody”s adota um tom francamente favorável ao país e ao governo. Está muito mais positiva do que no seu último diagnóstico. “A Moody”s espera que a retoma económica alargada em curso aumente a resiliência do crescimento português face a choques, apoiando o seu perfil de crédito”. Pede mais “investimento produtivo”, mas vê este agregado da procura a puxar continuamente pela economia e pelo potencial nos próximos anos.

Elogia ainda “a forte atividade económica da primeira metade de 2017 (2,8%), a mais alta desde 2000”, o desemprego “muito mais baixo”, embora peça atenção ao desemprego de longo prazo e dos jovens que “se mantém uma preocupação persistente”, condicionando o perfil de crédito do país.

A agência projeta um crescimento de 2,5% para este ano, em linha com previsões recentes e acima de 1,8% (Programa de Estabilidade).

Consolidação orçamental “excedeu as expectativas”

Do lado orçamental, a Moody”s que, de início, em 2015, temia “instabilidade política” e governativa quando viu um governo PS apoiado por dois partidos de esquerda, parece estar hoje confortável com a solução e os resultados entretanto alcançados. A consolidação de 2016 “excedeu as expectativas” e “dá uma base forte para que se continue com uma posição orçamental prudente”.

Para a Moody”s, o défice “irá permanecer abaixo de 3% do PIB nos próximos anos”. Este ano, acha possível baixá-lo para 1,8% (o governo diz 1,5%).

Elogios ainda para a gestão da dívida, hoje com uma base de investidores “mais alargada”, menos suscetível a humores e desconfianças dos mercados. Com menos défice, também há menos acumulação de endividamento.

Mesmo assim, o rácio só baixa para 120% em 2021 estimam os analistas que seguem Portugal, mas também reparam que o mais importante é que ele vá “descendo de forma regular”. E isso a agência assume que está a acontecer, o que é mais um ponto a favor da subida do rating. Menção ainda para “o forte histórico de implementação de reformas estruturais”.

Fatores que podem penalizar

Todos estes fatores estão em curso ou são reconhecidos pela agência, mas também há atritos e incertezas que podem fazer descarrilar este projeto de subida da nota. Esta pode ficar na mesma ou até regredir de novo se o governo vacilar na redução do défice e da dívida, se o crescimento falhar, se houver um choque ascendente nas taxas de juro e se os bancos se atrasarem nos seus processos de recapitalização e de saneamento dos créditos em incumprimento (NPL), avisam os analistas da Moody”s que seguem Portugal.

Apesar do crédito público continuar a ser classificado como um investimento do tipo “especulativo”, “lixo” na gíria dos mercados (a nota continua em Ba1), aquela ação abre caminho a que Portugal possa regressar, ao fim de sete anos (lá para setembro do ano que vem, eventualmente), ao clube dos investimentos menos arriscados, ao qual pertenceu até meados de 2011, quando entrou na bancarrota e teve de pedir o resgate.

FONTE www.jn.pt